Em 2076, Jaraguá do Sul tem 198 mil habitantes, menos do que em 2026. É a primeira vez na história registrada que a cidade perde população entre dois censos. Não houve êxodo dramático, mas o crescimento parou: os jovens qualificados foram embora, as famílias jovens preferiram cidades com mais oportunidade, e a taxa de natalidade caiu abaixo do nível de reposição uma década antes. A cidade envelheceu mais rápido do que o previsto.
O PIB nominal cresceu, chegou a R$ 19 bilhões, mas em termos reais, descontada a inflação, praticamente não avançou. A indústria de transformação responde por 64% do valor adicionado, mas emprega 31% menos pessoas do que em 2026. A automação que se concentrou entre 2028 e 2038 eliminou 16.200 postos operacionais. Desses, 9.800 foram absorvidos por crescimento da produção, aposentadorias e migração para outros setores; 6.400 não foram absorvidos, trabalhadores de 40–58 anos que não tiveram acesso a requalificação e que engrossaram o seguro-desemprego, a informalidade e a dependência de assistência social.
A classe C1, que em 2026 era 49,8% dos domicílios, encolheu para 38%, não porque os domicílios subiram de classe, mas porque parte deles desceu para C2 e D. A renda média por domicílio caiu 12% em termos reais entre 2026 e 2076. O comércio local, que dependia do consumo C1, sentiu o impacto em cascata: taxa de vacância de lojas no centro atingiu 28% em 2045, o maior índice desde os anos 1980.
A governança não conseguiu responder. O IFDM consolidado caiu de 0,8429 em 2026 para 0,81 em 2076, ainda em alto desenvolvimento no papel, mas em queda pela primeira vez em quatro décadas. O IFDM Emprego & Renda, que em 2026 era o destaque com 0,9895, recuou para 0,87. A base fiscal encolheu com a queda do consumo e do ISS, o município passou a depender ainda mais de transferências federais num momento em que essas transferências também estavam sendo reformadas. O ciclo vicioso se fechou.
Jaraguá em 2076 não é uma cidade em crise aguda. É uma cidade em declínio relativo lento, o tipo de processo que não mobiliza a opinião pública porque nenhum evento isolado é suficientemente dramático. O problema é sistêmico: a cidade perdeu a janela em que podia ter mudado sua trajetória, e as mudanças que chegam agora chegam mais caras, mais difíceis e sobre uma base fiscal mais fraca.
