Em 2076, Jaraguá do Sul é uma cidade de 230 mil habitantes que não reconheceria facilmente o observador de 2026, não pelo tamanho, que cresceu moderadamente, mas pela composição. A indústria ainda é o coração da cidade, mas não é mais o único órgão vital. Ao lado das fábricas de equipamentos elétricos e máquinas, mais automatizadas, com um terço menos de operadores de linha do que em 2026, mas com faturamento 80% maior, existe um ecossistema de empresas de tecnologia industrial, escritórios de engenharia de software embarcado, estúdios de design e agências de inovação que em 2026 simplesmente não existiam em escala.
O PIB municipal chegou a R$ 42 bilhões em valores constantes, crescimento real de quase 200% em 25 anos. Mais relevante do que o tamanho é a composição: a indústria de transformação responde por 48% do valor adicionado, contra 60% em 2026. Os 12 pontos percentuais de diferença migraram para serviços de alto valor, consultoria em automação, desenvolvimento de software industrial, gestão de energia renovável e serviços ambientais ligados à Mata Atlântica. O PIB per capita chegou a R$ 182 mil, praticamente o triplo de 2026 em termos reais.
A cidade que em 2026 tinha 9,62% dos entornos com infraestrutura cicloviária tem em 2076 uma malha de 280 km de ciclovias e 18 corredores de transporte coletivo de média capacidade. O contorno ferroviário foi concluído em 2034, removendo o tráfego pesado do centro e liberando os fundos de vale para uso misto residencial e de serviços. A cobertura de esgoto chegou a 99,1%. As lagoas de amortecimento do João Pessoa e Vieira foram construídas entre 2028 e 2031, reduzindo para 2,1% o percentual de domicílios em áreas de risco hídrico.
O IFDM consolidado chegou a 0,91, o componente Educação, que em 2026 era o único em desenvolvimento moderado (0,7111), atingiu 0,86. A Católica SC expandiu seu campus com mestrado profissional em Engenharia de Automação em parceria com WEG. O SENAI implantou o primeiro laboratório de manufatura avançada fora das capitais em 2029. A proporção de diplomados em Computação e TIC saiu de 3,4% para 11,2%, ainda não ideal, mas suficiente para sustentar a transição.
A força de trabalho industrial é menor em volume, 41 mil vínculos contra 52 mil em 2026, mas recebe em média 2,3 vezes mais por posto. A classe C1 continua sendo o maior estrato, mas sua composição mudou: inclui agora técnicos de automação, operadores de sistemas CNC avançados e analistas de qualidade industrial, não apenas operadores de linha convencional. A taxa de ocupação permanece acima de 96%.
