Em 2076, Jaraguá do Sul tem 215 mil habitantes e continua sendo uma das cidades mais prósperas do interior catarinense. Quem a visita pela primeira vez fica impressionado com a organização, com a limpeza, com a baixa violência e com a evidência de renda circulando, as concessionárias, os restaurantes, os centros comerciais. Quem a conhece desde 2026 percebe algo diferente: a cidade está igual. Não deteriorada, igual. Os mesmos setores dominantes, o mesmo perfil de emprego, os mesmos problemas não resolvidos, agora vinte e quatro anos mais velhos.
O PIB municipal chegou a R$ 28 bilhões, crescimento real de 85% em 25 anos, menos da metade do cenário C1. A indústria de transformação responde por 61% do valor adicionado, basicamente o mesmo percentual de 2026. WEG, Dohler e as empresas da cadeia metalmecânica continuam sendo os maiores empregadores. A automação avançou, mas de forma incremental: as linhas de produção têm 22% menos operadores de linha do que em 2026, mas não houve ruptura abrupta. Os postos extintos foram absorvidos por aposentadorias, demissões voluntárias e crescimento geral da produção, sem crise social visível.
O que não aconteceu é mais revelador do que o que aconteceu. O setor de tecnologia não decolou, há algumas empresas de software industrial, mas nenhuma com escala. Os diplomados em TIC subiram de 3,4% para 6,1%, crescimento, mas insuficiente para mudar a estrutura. O IFDM Educação chegou a 0,76, saiu do moderado, mas apenas no limite. A cobertura de esgoto chegou a 92%, houve avanço, mas ainda 8% sem cobertura em 2076, em uma cidade de IDH 0,84. O contorno ferroviário foi anunciado três vezes e iniciado uma, as obras estão 40% concluídas em 2076, com previsão de entrega para 2055.
A participação de Jaraguá no PIB da microrregião continuou caindo, de 16,7% em 2026 para 12,3% em 2076. Joinville expandiu seu parque tecnológico. Blumenau desenvolveu um polo de serviços financeiros e de saúde de alto valor. Jaraguá ficou onde estava, fazendo o que sempre fez, fazendo bem, mas ficou.
A classe C1 ainda representa 48% dos domicílios. A renda média cresceu em termos reais, mas a estrutura de dependência do emprego industrial não mudou. Uma geração inteira de trabalhadores passou pela vida produtiva sem ter que enfrentar ruptura, e sem ter desenvolvido a resiliência que a ruptura exigiria. A próxima geração herda uma cidade próspera e uma estrutura econômica cuja vulnerabilidade cresce a cada ano que passa sem diversificação.
