| 2026–2028 | WEG inaugura o Centro de Excelência em Sistemas Embarcados, 420 engenheiros, investimento de R$ 280 milhões. Decisão inteiramente privada, sem incentivos municipais adicionais. | Primeiro polo tecnológico de escala em Jaraguá. Efeito de atração imediato: 6 fornecedores especializados abrem escritório nos 18 meses seguintes. O ecossistema começa a se formar por força gravitacional do mercado, não por política pública. |
| 2028 | Prefeitura recusa proposta da ACIJS de criar fundo municipal de requalificação profissional, orçamento considerado excessivo em ano eleitoral. O programa federal equivalente (Qualifica+) é acessado com dois anos de atraso por falta de contrapartida local. | A requalificação da força de trabalho de nível médio não acontece em escala. A transição se fará por substituição geracional, os jovens que entram no mercado já têm perfil diferente; os trabalhadores de meia-carreira ficam para trás. |
| 2029–2031 | Três spin-offs tecnológicos surgem de ex-engenheiros da WEG e da Dohler, focadas em automação de processo, visão computacional industrial e gestão energética. Todas crescem organicamente sem suporte público estruturado. | O ecossistema prova que Jaraguá tem capital humano para produzir tecnologia. Mas sem ambiente institucional favorável, duas das três se transferem parcialmente para Florianópolis até 2034, ficam com operação em Jaraguá mas sede e P&D em outro lugar. |
| 2031 | Evento de inundação em João Pessoa, 1.800 domicílios afetados. Desta vez a pressão política é suficiente para aprovar as lagoas de João Pessoa. As do Vieira ficam para 'a próxima gestão'. | Solução parcial: uma das duas áreas críticas é protegida. O padrão de resposta reativa produz resultado incompleto, protege onde a pressão foi maior, deixa exposto onde a pressão foi menor. |
| 2033 | Consórcio de empresas locais (WEG, Dohler, Weg Drives, 6 médias) lança o Programa Futuro Industrial, bolsas para graduação em TIC e Engenharia de Automação nas IES locais e online, com compromisso de contratação. | Em 5 anos, 1.200 jovens formados pelo programa. A proporção de diplomados em TIC sobe de 3,4% para 7,8% até 2040. Iniciativa privada supre lacuna que deveria ser pública, solução eficiente para quem tem acesso, invisível para quem não tem. |
| 2035 | Censo IBGE 2035: IFDM Educação em 0,74, ainda moderado. Participação de Jaraguá no PIB regional estabiliza em 15,8%, interrompendo a queda, mas sem retomada da liderança regional. | Os dados confirmam a assimetria: crescimento econômico sem distribuição proporcional dos benefícios via serviços públicos. A cidade cresce; a escola pública não. |
| 2037 | Primeiro unicórnio da história de Jaraguá: empresa de software industrial para manufatura leve atinge valuation de R$ 1 bilhão. Fundadores: dois ex-engenheiros da WEG, formados na Católica SC. | Marco simbólico que coloca Jaraguá no mapa nacional de inovação. Atração de capital de risco para o ecossistema local. Mas o benefício é concentrado: os 180 funcionários da empresa têm salários médios de R$ 18 mil, longe do alcance da classe C1. |
| 2040 | Revisão do PDO 2040 com participação limitada, 3.200 contribuições, concentradas em bairros de renda mais alta. As obras do Vieira não são priorizadas. O contorno ferroviário tem prazo revisado para 2053. | O planejamento urbano reflete a assimetria de participação: quem tem acesso influencia; quem não tem, não. As prioridades de infraestrutura favorecem as áreas já favorecidas. |
| 2044 | Evento climático extremo: 280 mm em 48 horas. João Pessoa absorve o impacto, as lagoas funcionam. Vieira é afetado com 2.100 domicílios atingidos e R$ 380 milhões em danos. | A solução parcial de 2031 produz resultado parcial: metade da cidade está protegida, metade não. O evento accelera finalmente a aprovação das obras do Vieira, mas o dano já foi feito. |
| 2048–2076 | Debate público sobre a desigualdade intraurbana: o bairro industrial tecnológico tem renda 3,8x maior que os bairros operários tradicionais. A transformação econômica aconteceu, mas não chegou onde mais era necessária. | A grande questão em aberto para a próxima geração: como distribuir os ganhos da transformação que o mercado produziu sem que a política pública orientasse. A Jaraguá de 2076 é mais rica e mais desigual do que a de 2026. |